Blog do Daniel Benevides

Arquivo : janeiro 2012

Façamos sexo, não BBB
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Daniel Benevides

Acho que vou chover no molhado, mas não custa repetir: em vez de perder tempo com as desventuras sexuais dos personagens casa vez mais ordinários do BBB, por que não ganhar tempo com a própria vida e fazer sexo de verdade? O BBB não vale nem o voyeurismo – na boa, se estiver sozinho (ou mesmo acompanhado) melhor olhar pela janela, ler Sade, Henry Miller, Bataille, D.H.Lawrence, ou alugar um clássico como Atrás da porta verde e Dama do lotação (o mais recente Cidade Baixa também serve).

Há muito o BBB deixou de ser um recorte da vida para ser um retrato da mediocridade da vida. Difícil acreditar que tantas pessoas queiram mesmo ver um bando de gente sem graça enchendo a cara por tédio, vergonha ou contrato pra depois se esfregarem debaixo das cobertas. Estupro? Sim, ao que parece – e acho que, confirmada a impressão, o cara deveria ser não apenas expulso desse kitsch motel coletivo, como eventualmente ser indiciado. O fato é que, com o risco de parecer moralista ou antigo, mas desde já ressaltando que falo do ponto de vista exclusivamente estético e existencial, o programa “em si” é um estupro.

Tudo bem, até dá pra dar umas boas risadas ou extrair alguma lição antropológica – mas para isso bastam cinco minutos. Mais é querer pastar nessa virtual vida bovina. Por tudo isso, sugiro um flash mob mais prazeroso do que o habitual: a cada vez que o BBB entra no ar, façamos sexo de verdade. Pegue sua bela namorada, seu belo namorado, amigas ou amigos dispostos, sua imaginação ou estimulantes criativos, e mandem bala, de preferência com a TV desligada e um Serge Gainsbourg ou Marvin Gaye na vitrola, CD ou iPod.

 

Marilyn Chambers, estrela de Atrás da porta verde



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